Rodovias: com 7 leilões no ano, concessões têm melhor marca desde 2007

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil O governo federal realizou na última quinta-feira (19) o último leilão rodoviário de 2024. Com sete projetos em 12 meses, o país alcançou o mesmo volume de certames bem-sucedidos de 2007, até então o ano com o maior número de leilões. Para atingir a meta de realizar outros 15 em 2025, o governo terá como principal desafio manter o otimismo do mercado. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo. : siga o Canal Rural no Google News. Apesar do ritmo elevado, o número de certames realizados neste ano ficou abaixo da marca estipulada inicialmente pelo ministério, que era de 12 leilões. “Ainda assim, o que fizemos apenas em 2024 foi mais do que o governo passado realizou em quatro anos de mandato”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho, após o último leilão do ano. Entre 2016 e 2022 foram leiloadas sete concessões. Os projetos arrematados neste ano somam investimentos na ordem de R$ 82 bilhões. O advogado Fernando Vernalha, especialista em Infraestrutura do Vernalha Pereira Advogados, avalia que o grande volume de leilões exitosos está relacionado a melhorias de gestão – parte feita pelo Ministério dos Transporte e parte pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “É perceptível uma melhora da competitividade em algumas licitações”, diz. Entre os fatores positivos estão as adaptações nas matrizes de riscos dos projetos. O governo conseguiu, por exemplo, tirar do papel a concessão da Rodovia da Morte após três tentativas frustradas. Em agosto, o projeto, que vinha se arrastando desde 2021, foi arrematado pela estreante 4UM, que competiu com a também novata no setor, Opportunity. Outro fator que contribuiu para o sucesso das concessões foi a aprovação da Lei de Debêntures de Infraestrutura. É o que afirma o advogado Guilherme Malta, especialista em direito público e sócio do Mota Kalume Advogados. “Essa legislação incentiva a emissão de debêntures com benefícios tributários, o que atrai investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, para o setor de infraestrutura”, diz. Ainda assim, entre os projetos ofertados – aqueles que tiveram editais publicados – houve a suspensão de um leilão por falta de interessados, o da Rota da Celulose, conjunto de rodovias em Mato Grosso do Sul. O secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, diz que o certame deserto foi um problema pontual relacionado à modelagem, o qual está sendo corrigido. Para o advogado Caio Loureiro, sócio da área de Infraestrutura de TozziniFreire Advogados, embora tenha havido um leilão deserto, a expectativa geral foi atendida. “Com um volume tão grande de ativos, é natural que os grandes grupos tenham focado naqueles projetos com maior atratividade ou que se alinhavam melhor aos seus planos de negócios.” Diversificação de players O ministro Renan Filho apontou a diversificação de players como um fator positivo dos leilões de 2024. “Dos sete leilões em 2024, tivemos seis vencedores diferentes, isto é um ótimo sinal”, avaliou. A EPR, vencedora do leilão desta quinta-feira, foi a única a arrematar mais de uma rodovia, já que conquistou também a concessão da BR-040, em abril. Além do retorno de grupos tradicionais, como CCR e EcoRodovias, que voltaram a participar dos leilões, também chamou atenção o fortalecimento de novos players, como a EPR. O protagonismo de novos entrantes do setor financeiro, como a 4UM, é mais um ponto destacado por especialistas. Leilões de rodovias em 2025 Para 2025, o Ministério dos Transportes projeta dobrar a marca de 2024 e promover 15 leilões. O primeiro da agenda, previsto para 7 de janeiro, é o da concessão da Ponte Internacional de São Borja, que liga as cidades de São Borja (RS), no Brasil, e Santo Tomé, na Argentina. A meta da gestão federal é realizar 35 leilões até o fim do atual mandato, em 2026. Para isso, além dos 15 certames em 2025, precisará de mais 11 no ano seguinte. Isso porque, com os dois realizados em 2023, o saldo atual é de nove projetos absorvidos pelo mercado. No entanto, a carteira de projetos para 2025 enfrentará o cenário de juros elevados, a perspectiva de alta inflacionária e instabilidade cambial. Para Vernalha, esta conjuntura pode afetar o programa de concessões. Ainda assim, o advogado prevê um “número importante” de leilões rodoviários no próximo ano. O apetite por estes projetos dependerá das condições de mercado, destaca o advogado Caio Loureiro. “É fundamental garantir taxas internas de retorno competitivas para que o setor continue atraindo novos investidores”, afirma. Após o leilão da quinta-feira, Renan Filho afirmou que a pasta está preparada para rever as taxas internas de retorno (TIR) para manter o interesse do mercado. “Se os juros se estabilizarem em um patamar mais alto do que 11% ou 12%, obviamente teremos que fazer essa avaliação”, disse. Leilões rodoviários realizados pelo governo federal em 2024 Projeto Extensão Investimento (capex + opex)* Vencedor “Rodovia da morte”, BR-381, MG 303,4 km – R$ 9,2 bi – Consórcio – 4UM BR-040/MG (BH-JF) – 232,1 km – R$ 8,7 bi – EPR “Rota dos Cristais”, BR-040 GO/MG – 594 km – R$ 13 bi – Vinci Highways “Rota Sertaneja”, BR-153/262/GO/MG – 530 km – R$ 9,4 bi deserto – adiado “Rota do Zebu”, BR-262/MG – 438,9 km – R$ 8,5 bi – Rotas do Brasil Rodovias do Paraná, Lote – 3 569 km – R$ 15,8 bi – CCR Rodovias do Paraná , Lote 6 66 – 2,1 km – R$ 20 bi – EPR “Rota Verde”, BR-060/452/GO – 426,2 km – R$ 6,86 bi – Consórcio/Aviva *Capex refere-se aos investimentos iniciais em construção, ampliação ou manutenção estrutural, enquanto opex abrange os custos operacionais, como salários e energia. Fonte: ANTT O post Rodovias: com 7 leilões no ano, concessões têm melhor marca desde 2007 apareceu primeiro em Canal Rural.

Avião cai em Gramado (RS); passageiros não teriam sobrevivido

Foto: redes sociais Uma avião provalmente de pequeno porte caiu na manhã deste domingo (22) em Gramado, Rio Grande do Sul, por volta das 9h30. A queda ocorreu na avenida das Hortências, que liga o município a Canela. Na queda, a aeronave teria atingido um prédio, uma loja e uma pousada, provocando incêndio. O Corpo de Bombeiros, Brigada Militar e Polícia Civil foram acionados. Nas redes sociais, o governador do estado, Eduardo Leite, divulgou vídeo no local no acidente (veja abaixo) e afirmou que possivelmente o avião teria nove ocupantes, que não teriam sobrevivido. Além deles, 14 pessoas teriam sofrido ferimentos causados pela queda do avião, sendo que duas delas estariam em estado grave, por conta de queimaduras. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo. : siga o Canal Rural no Google News. O post Avião cai em Gramado (RS); passageiros não teriam sobrevivido apareceu primeiro em Canal Rural.

Revolução no campo: nova técnica aumenta em 287% a produção de milho!

Foto: Guiljherme Viana/Embrapa Em estudo desenvolvido no município e Marianópolis (TO), foi observado que o cultivo intercalar de milho, antes da colheita da soja, aumenta a produtividade e reduz os riscos da segunda safra tardia. Chamada de Antecipe, a técnica desenvolvida pela Embrapa promoveu aumento do número de espigas e da produtividade de grãos de milho em 287%, comparado ao plantio convencional desse cereal pós-soja. Com a tecnologia, os pesquisadores registraram a média de 3.062 quilos por hectare nos experimentos realizados no Tocantins. Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp! O estudo comparou três sistemas de cultivo: intercalar do milho antes da colheita da soja (o Antecipe), a semeadura do milho após a colheita da soja e um terceiro sistema denominado “padrão do produtor”, em que o milho foi semeado após a colheita da soja no mesmo dia do Antecipe. A pesquisa foi executada em parceria por três Unidades da empresa: Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), Embrapa Milho e Sorgo (MG) e Embrapa Pecuária Sudeste (SP). “O Antecipe é uma tecnologia com potencial de aumentar a produção de milho na segunda safra no Tocantins, respeitando a janela de recomendação para o milho safrinha no estado”, declara o agrônomo da Embrapa Francelino Peteno de Camargo, responsável pelo experimento no estado. Antecipe é sucesso em oito estados O Tocantins é um dos oito estados em que o Antecipe gerou bons resultados. “O sistema foi validado em várias regiões do país que adotam a safrinha, como Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul e Maranhão”, relata o pesquisador Décio Karam, líder do projeto. Ele conta que os resultados têm sido promissores, tanto nas operações de plantio intercalar do milho como na colheita da soja. Em Goiás, por exemplo, ocorreram os resultados expressivos na segunda safra de 2021. Em um experimento conduzido em Rio Verde (GO), o Antecipe entregou 66 sacas de milho por hectare. Na semeadura tradicional, com o milho semeado após a colheita da soja, a produtividade foi de 28 sacas por hectare. Como funciona o sistema Antecipe Essa técnica permite a semeadura mecanizada do milho nas entrelinhas da soja durante a fase de enchimento de grãos da leguminosa, a partir do estádio R6. O milho é cortado durante o processo de colheita da soja, reduzindo a área foliar das plantas. Porém, como o ponto de crescimento encontra-se abaixo da superfície do solo, a planta continua seu crescimento, sem prejuízo à produtividade de grãos. Porém, essa desfolha deve ocorrer até o estádio de desenvolvimento V5 do milho, pois, se realizada após esse período, há perda de produtividade. Essa estratégia permite ao produtor antecipar o plantio do milho safrinha em até 20 dias antes da colheita da soja, reduzindo os riscos de perdas por condições climáticas desfavoráveis, típicas do final do verão e início do outono. Com o plantio antecipado, a cultura do milho aproveita melhor as chuvas do início da estação, resultando em ganhos significativos de produtividade e rentabilidade. De acordo com Karam, a técnica também reduz os custos de produção da soja, eliminando a necessidade de dessecação da cultura para antecipar a colheita, o que beneficia o produtor em aspectos operacionais, econômicos e ambientais. Além disso, em regiões com maior experiência no cultivo da safrinha, é possível utilizar cultivares de soja de ciclo mais longo e maior potencial produtivo, sem comprometer o desempenho do milho. Outra vantagem do sistema é a possibilidade de implantar o milho safrinha em áreas onde a segunda safra ainda não está consolidada, expandindo as janelas de cultivo para regiões antes consideradas inviáveis. Essa flexibilidade amplia o potencial agrícola, permitindo maior eficiência no uso da terra e contribuindo para a sustentabilidade do sistema produtivo. O pesquisador Emerson Borghi explica que os cultivos intercalares antecipados nas entrelinhas da soja, antes de sua colheita, permitem semear a segunda cultura, que pode ser de milho, sorgo, milheto, gergelim ou pastagens, de acordo com a região e o negócio da propriedade. A colheita da soja é feita sem causar danos às plantas dessas culturas. “Desse modo, com melhores condições, a garantia de segunda safra pode ampliar o retorno econômico. Isso pode acontecer na produção de grãos, silagem ou, em casos em que o produtor adota a ILPF, ganho de peso na pecuária de carne ou leite, pois o pasto semeado nas entrelinhas da soja permite a entrada do gado mais cedo na área”, exemplifica Borghi, que ainda ressalta o impacto ambiental da tecnologia: “tudo isso feito em plantio direto, garantindo uma pegada de carbono ainda mais efetiva e colocando o Brasil ainda mais na vanguarda da produção sustentável de alimentos para o mundo”. Foto: Sandra Brito/Embrapa A história do Antecipe Lançado em 2020, o pacote tecnológico Antecipe apresenta uma abordagem inovadora para a produção de grãos. Desenvolvido pela Embrapa, o sistema combina um método inédito de cultivo, uma semeadora-adubadora, que já conta com pedido de patente pela Embrapa, e comercializada em parceria com a empresa Jumil. A técnica consiste em semear o milho nas entrelinhas da soja. Para isso, a lavoura deve estar no estádio fenológico R6 pois, antes disso, o milho não se desenvolve pelo sombreamento causado pela soja. Durante a colheita da soja, sem a necessidade de adaptações no maquinário, o equipamento corta simultaneamente as plantas das duas culturas, reduzindo a parte aérea do milho. Mesmo com a passagem pela colhedora reduzindo a área foliar e os pneus da máquina amassando algumas plantas, o ponto de crescimento do milho não é afetado e, assim, a planta continua seu desenvolvimento. Os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da tecnologia alertam para o estádio fenológico que o milho deve estar nesse momento, o que não pode ocorrer após a emissão da sexta folha com bainha visível (conhecido como estádio fenológico V6). O plantio intercalar antecipado oferece vantagens estratégicas, garantindo um ganho de até 20 dias no ciclo de cultivo e permitindo que o milho se beneficie de condições climáticas mais favoráveis, otimizando a produtividade, quando comparado ao plantio do milho fora do calendário agrícola preconizado

Leilões de dólar: entenda o que significa e os impactos na economia

Foto: Pixabay Em um ano, o dólar teve uma escalada expressiva, saindo de R$ 4,85 em 1º de janeiro para o patamar histórico de R$ 6,26 em 18 de dezembro. O movimento fez com que o Banco Central começasse uma rodada de leilões bilionários, em uma tentativa de controlar a alta da moeda norte-americana. Até agora, o real é a moeda que mais desvalorizou frente ao dólar em 2024, de acordo com dados da consultoria Elos Ayta. Até a última terça-feira (17), a moeda brasileira acumulava desvalorização de 21,52%, patamar muito próximo do registrado em 2020, ano da pandemia. Mas como funcionam esses leilões do Banco Central? Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo. : siga o Canal Rural no Google News. Segundo o economista do Terraço Econômico, Caio Augusto Rodrigues, trata-se de operações em que o BC utiliza suas reservas internacionais para colocar dólares no mercado, aumentando a oferta da moeda em momentos de forte desvalorização do real. Entretanto, essas operações não são livres de riscos.  “Essas operações são delicadas, porque podem incendiar a reação do próprio mercado: num momento em que todo mundo está querendo comprar dólar, pode acontecer das ofertas desses leilões irem embora rapidamente e o efeito sobre a cotação ser nulo ou até mesmo negativo”, afirma. Na avaliação de Rodrigues, o compromisso mais sólido do Banco Central para controlar o dólar está nos juros. Isso porque ao ajustar o diferencial de juros entre o Brasil e mercados como os Estados Unidos, a autoridade monetária atrai capital estrangeiro e ajuda a conter desvalorizações futuras. Razões para a alta do dólar O movimento de alta do dólar reflete tanto questões internas quanto externas. Do lado doméstico, o cenário fiscal é um dos principais gatilhos. Rodrigues afirma que a elevação é algo que se desenha há mais ou menos um ano.  “O governo criou uma enorme expectativa em cima do pacote de ajuste fiscal e chegou com algo que, na melhor das hipóteses, não entrega um décimo do tamanho do problema”, afirma. Ele lembra que, apesar de avanços na arrecadação em 2023, o governo não conseguiu equilibrar o crescimento das despesas.  Além disso, decisões recentes do Federal Reserve (Fed), como o corte de 25 pontos-base nas taxas de juros e a sinalização de menos cortes em 2025, complicaram ainda mais o cenário. “O derretimento recente já era visível pelo lado doméstico, mas agora se intensifica com a pressão externa negativa”, avalia o economista. Impactos na economia Se por um lado a valorização do dólar é boa para as exportações, por outro o custo de insumos e outros produtos importados, como o trigo, até máquinas e equipamentos especializados, é fortemente impactado. De acordo com Rodrigues, embora o repasse ao consumidor final não seja imediato, em até dois trimestres essa alta cambial deve impactar a inflação.  O economista alerta ainda para a possibilidade de um cenário inflacionário semelhante ao período pós-pandemia, quando a inflação anual ultrapassou os dois dígitos. Expectativas para o câmbio As previsões para o dólar indicam volatilidade. “Com o fluxo de saída atual e a inação do governo, podemos sentir saudades do dólar a R$ 6 em pouco tempo”, afirma Rodrigues.  Caso o governo interfira na autonomia do Banco Central, a situação pode se agravar, como aconteceu na Turquia em 2019. Naquele país, após mudanças no comando do BC e decisões políticas equivocadas, a moeda local sofreu uma desvalorização drástica. Para o Brasil, a lição é clara. “Se o país quebrar a régua dos juros após ter quebrado a régua fiscal, não podemos de jeito nenhum descartar uma desvalorização como nunca antes vista em nossa moeda frente ao dólar”, finaliza. O post Leilões de dólar: entenda o que significa e os impactos na economia apareceu primeiro em Canal Rural.

Mudanças climáticas: mitigação passa pelo uso inteligente do solo

Foto: Pixabay As mudanças de uso do solo realizadas pela atividade agrícola são algumas das maiores responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa na atmosfera. Como plantas e solo estocam carbono e um solo não balanceado em nutrientes gera mais emissões, nos últimos anos, a agricultura entrou para o cardápio das soluções para mitigação das mudanças climáticas. Em 2009 surgiu o termo climate-smart agriculture (“agricultura inteligente em termos climáticos”, numa tradução livre), durante um evento da agência da Organização das Nações Unidas para alimentação e agricultura (FAO). Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp! “Não que a agricultura tenha sido, até agora, climaticamente agnóstica, ignorante ou neutra. Ela sempre dependeu do clima”, disse a diretora do Center for Global Food Security, da Purdue University, Sylvie Brouder, em palestra na Escola Interdisciplinar Fapesp 2024. Brouder contou que o que caracteriza a climate-smart agriculture não é diferente do que se chamava até então de conservation agriculture. “É o que no Brasil chamamos de agricultura de baixo carbono”, explicou o mediador da palestra e professor da Faculdade de Ciências Agronômicas de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FCA-Unesp Ciro Rosolem à Agência Fapesp. Segundo Brouder, a mudança de nome foi uma forma de pôr as ciências agronômicas em evidência para o financiamento de pesquisas. Pelo menos nos Estados Unidos. “Queriam chamar a atenção de quem tem o dinheiro, falando de mitigação e adaptação climática. Basta lembrar que o financiamento à pesquisa em agricultura [nos Estados Unidos] tende a ser pouco quando comparado às outras áreas”, contou. A pesquisadora apresentou números da literatura científica sobre mudanças climáticas, “reflexo do que a ciência está pautando em termos de políticas públicas”. Em 2015, segundo a base de dados Scopus, quase todos os estudos publicados eram sobre biologia, geofísica, meteorologia ou clima. E os dez artigos mais citados eram sobre sistemas naturais, hábitats, extinção etc. “Não sobre agricultura. Isso quando a mudança climática está obviamente afetando a agricultura”, apontou. O papel do nitrogênio A agricultura tem papel fundamental no balanço de nitrogênio no solo. Ao mesmo tempo que é um nutriente essencial, o excesso gera emissões de gases como o óxido nitroso. Este é um dos mais potentes causadores do efeito estufa. Em sua experiência com produtores norte-americanos, ela conta que o temor de que suas plantações não rendam a colheita esperada faz com que muitos apliquem mais nutrientes no solo do que o necessário. As consequências podem ser tanto econômicas, com gastos excessivos em fertilizantes, até ambientais, com poluição de rios e mares pelo excesso de nitrogênio e o aumento das emissões de gases de efeito estufa. “Não há dúvida de que nitrogênio, fósforo e enxofre no solo são necessários para sequestrar o carbono. Mas é preciso saber a dose certa, ou o excedente vai gerar emissões indiretas, água de baixa qualidade, entre outros problemas”, explicou. Brouder disse que foca no nitrogênio, pois, ao comparar as emissões de óxido nitroso nos Estados Unidos, a região conhecida como Cinturão do Milho é uma das grandes emissoras. Isso porque os fertilizantes são aplicados em quantidade muito maior do que a necessária. “As razões pelas quais as pessoas fazem isso são socioculturais. É o que sempre aplicaram e elas querem colheitas ainda maiores, o que leva a crer que precisam aplicar ainda mais. Somado a isso, até recentemente os fertilizantes nitrogenados eram relativamente baratos”, notou. O pensamento é uma herança direta da chamada Revolução Verde, conjunto de inovações que levaram a uma explosão de produtividade em diversas culturas no pós-guerra. “Muitos pensam na Revolução Verde apenas em termos de genética e sementes, mas foi um conjunto de fatores, incluindo irrigação, maquinário, fertilizantes químicos, este último agora associado como uma consequência ruim daquele momento”, lembrou. É preciso lembrar, disse, que houve também investimentos em infraestrutura social, pesquisa, crédito para os produtores. Essa confluência proporcionou o aumento massivo de produtividade. Mas nem todos se beneficiaram da Revolução Verde, o que suscitou nos anos 1980 a noção de segurança e insegurança alimentar. Os desafios agora se somam com os fatores climáticos, gerando pressão na produção de alimentos por conta de disponibilidade de água, mudanças no regime de chuvas e aumento das temperaturas médias, entre outras consequências das mudanças climáticas globais. O post Mudanças climáticas: mitigação passa pelo uso inteligente do solo apareceu primeiro em Canal Rural.

Avanço na semeadura de soja na América do Sul e Chicago em baixa: como ficou o mercado do grão?

Imagem de Александр Пономарев por Pixabay A soja na América do Sul segue seu avanço com bom desempenho nas lavouras, especialmente no Brasil e na Argentina. Com o plantio praticamente finalizado no Brasil e 80% da área cultivada na Argentina, as perspectivas para uma safra cheia nos dois países são cada vez mais concretas. O avanço nas lavouras sul-americanas tem dominado as tendências de preços na Bolsa de Chicago, onde os contratos de soja caíram aos menores níveis em quatro anos. A pressão da oferta, com o ritmo acelerado do plantio, somada à diminuição da demanda chinesa, tem gerado um cenário desafiador para os preços no mercado internacional. Fatores como a desaceleração econômica na China, que reduz a necessidade de importações, e o deslocamento da demanda para a soja sul-americana, têm impactado a formação dos preços. Além disso, a decisão do governo dos Estados Unidos de não oferecer incentivos à produção de biodiesel e uma maior aversão ao risco nos mercados financeiros, especialmente após o Federal Reserve sinalizar cortes mais lentos na taxa de juros para 2025, contribuíram para a pressão baixista sobre os preços. Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp! Lavouras de soja no Brasil O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB), projetou que a produção de soja no estado para a safra 2024/25 deve alcançar 22,18 milhões de toneladas, um aumento de 20% em relação à safra anterior. A área plantada deverá ficar em 5,774 milhões de hectares, com um aumento modesto em relação aos 5,784 milhões do ciclo 2023/24. A produtividade média está estimada em 3.841 quilos por hectare, um avanço em relação aos 3.200 quilos registrados no ano passado. No Mato Grosso, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) prevê que a área de soja para a safra 2024/25 será de 12,66 milhões de hectares, o que representa um aumento de 1,47% em comparação com o ciclo anterior. A produtividade no estado deve alcançar 57,97 sacas por hectare, com uma alta de 11,15%. A produção total prevista é de 44,04 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 12,78% em relação à safra passada. No Rio Grande do Sul, o plantio alcançou 94% da área prevista até o momento, superando a média dos últimos cinco anos, que é de 90%. As condições das lavouras são satisfatórias, com boa germinação e desenvolvimento vegetativo, especialmente em áreas plantadas mais cedo. A previsão de área cultivada no estado é de 6,81 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 3.179 kg/ha. Avanço na Argentina Na Argentina, o Ministério da Agricultura estimou que a área plantada com soja na safra 2024/25 será de 18 milhões de hectares, um aumento de 0,6% em relação à estimativa anterior. A produção na temporada passada foi de 48,2 milhões de toneladas. O plantio de soja na Argentina atingiu 77% da área prevista, um avanço significativo em relação aos 54% da semana anterior e aos 71% registrados no mesmo período do ano passado. A estimativa de área plantada na Argentina é 8,4% superior à safra anterior. O post Avanço na semeadura de soja na América do Sul e Chicago em baixa: como ficou o mercado do grão? apareceu primeiro em Canal Rural.

Calor: termômetros podem alcançar os 40 graus neste domingo

O segundo dia de verão será de tempo úmido em boa parte do centro-sul do Brasil. A faixa leste do estado de São Paulo segue com o tempo instável devido à passagem de uma frente fria no oceano. Não há expectativa de temporal. O céu fica nublado a parcialmente nublado, com períodos de chuva fraca a moderada. No interior da Bahia, o tempo segue seco e com temperaturas elevadas. Veja como fica o tempo pelo país. Região Sul No Sul, com o avanço das instabilidades para o Sudeste, o tempo volta a ficar firme em boa parte dos estados, com sol entre nuvens. A chuva será rápida e isolada, principalmente nas Serras Gaúcha e Catarinense. Em Porto Alegre, o dia será ensolarado, enquanto Curitiba e Florianópolis poderão registrar chuvas passageiras. Região Sudeste As chuvas ganham destaque, especialmente no norte de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e na metade sul do Espírito Santo, onde os acumulados serão mais significativos. Capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória podem enfrentar temporais, enquanto a região metropolitana de São Paulo terá sol intercalado com pancadas isoladas. Região Centro-Oeste As chuvas persistem em todos os estados, acompanhadas de alertas para temporais com ventos que podem alcançar 90 km/h. Apenas o extremo sul do Mato Grosso do Sul deve ter tempo firme. Região Nordeste O sertão segue seco, enquanto chuvas moderadas se concentram no litoral e nas áreas entre Piauí, Maranhão e Bahia. As temperaturas permanecem elevadas, com valores que podem ultrapassar os 40°C em algumas localidades. Região Norte O domingo terá chuvas isoladas no Acre, Rondônia e Tocantins. No Amazonas, as precipitações serão pontuais e intercaladas com sol. Já no sul do Pará, a chuva será isolada, enquanto o norte do estado, o Amapá e Roraima terão predomínio de sol. Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp! O post Calor: termômetros podem alcançar os 40 graus neste domingo apareceu primeiro em Canal Rural.

SP bate recorde de quase meio bilhão em crédito para o agro em 2023 e 2024

Foto: Reprodução Canal Rural O Governo de São Paulo liberou R$ 490 milhões em recursos para produtores rurais em 2024. O dinheiro foi liberado por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), em linhas de crédito e subvenções nos últimos dois anos. Segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), o maior volume aplicado desde o início da série histórica, em 1993. Os recursos foram destinados para ações voltadas para a produtividade no campo e a mitigação dos impactos de adversidades climáticas. Nesse pacote de investimento estão seguro rural, pagamento por serviços ambientais, créditos emergenciais e subvenção do projeto Pró-trator e implementos agrícolas. O produtor de café José Malaguti é um dos 115 beneficiários da linha do Feap SP – Pró-trator e Implementos. Essa linha disponibilizou, neste ano, R$ 60 milhões em subvenção, sendo contratados  mais de R$ 20,88 milhões. O produtor de café foi contemplado durante a última edição da Agrishow, em abril deste ano.  “Nós trabalhávamos braçal e o serviço não rendia muito. Então, esse trator era mais do que esperado, veio na hora certa para nós, pequenos produtores”, comemora José Malaguti, produtor de café.  Este ano, a SAA criou novas linhas de apoio aos produtores paulistas, como o Projeto de Apoio ao Combate do Greening (R$ 10 milhões) e o Mulher Agro SP (R$12 milhões). Anunciou ainda crédito emergencial para ‘Recuperação de áreas atingidas por incêndios’ (R$10 milhões), que já colaborou com a reconstrução de mais de 130 propriedades afetadas pelas queimadas em todo o estado, durante os meses de agosto e setembro. A pasta também informou que socorreu produtores de batata doce e mandioca (R$ 5 milhões), fortemente afetados pela escassez hídrica. Mulher Agro O projeto, destinado às mulheres do campo, teve um resultado acima do esperado. Inicialmente, foram liberados R$ 10 milhões via Fundo de Expansão do Agro Paulista, mas devido a demanda, recebeu um aditivo de R$ 12 milhões, o que viabilizou a liberação de mais de R$ 10,28 milhões, beneficiando mais de 439 mulheres.  “Mais do que resultados econômicos positivos, como as demais linhas, o Feap Agro Mulher SP está transformando a vida de centenas de produtoras rurais”, ressaltou Guilherme Piai, secretário de Agricultura de São Paulo. O governo destaca que o sucesso dessa linha de crédito é decorrente de dois fatores: o aumento de mulheres à frente dos negócios no campo e, principalmente, pela dificuldade de aprovação de crédito junto às instituições financeiras. Muitas mulheres não têm como comprovar renda e não possuem bens, como terras ou propriedades, que possam ser oferecidas como garantia. Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp! O post SP bate recorde de quase meio bilhão em crédito para o agro em 2023 e 2024 apareceu primeiro em Canal Rural.

Danilo Gentili e amigos na mira da Justiça por causa do vinho “Putos”

Os humoristas Danilo Gentili, Oscar Filho e Diogo Portugal causaram polêmica essa semana. A trupe é responsável pelo vinho “Putos”, produzido em Portugal, e que teve a comercialização suspensa pela Justiça de São Paulo. A notícia bombou nas redes sociais! O motivo: satirizar o rótulo do Château Petrus, bebida francesa cuja garrafa custa mais de R$ 40 mil no Brasil. Para as empresas responsáveis pela distribuição da bebida, a Porto a Porto e Casa Flora, a marca criada pelo trio possui elementos originais, incluindo caricaturas dos humoristas, o que torna impossível a associação indevida por parte dos consumidores, não havendo, assim, concorrência desleal.   Os detalhes desta curiosa história estão na matéria produzida pela nossa equipe! O post Danilo Gentili e amigos na mira da Justiça por causa do vinho “Putos” apareceu primeiro em Canal Rural.

Toneladas de produtos irregulares são apreendidos em operação no MS e MT

Ações da Operação Ronda Agro nos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul conseguiram apreender alimentos para animais, fertilizantes, bebidas e uma variedade de produtos de origem animal, incluindo queijos, embutidos e produtos apícolas. A operação tem o objetivo de combater o comércio irregular de produtos. Em Dourados/MS, dois estabelecimentos comerciais foram autuados e tiveram seus produtos destruídos devido à ausência de registro nos serviços oficiais e de comprovação de origem, comprometendo sua conformidade e inocuidade para o consumo. Também foram apreendidos 81 toneladas de alimentos para animais, 60 toneladas de fertilizantes e 62 kg de agrotóxicos em Deodápolis/MS. Na cidade de Campo Verde/MT, agentes localizaram 333 Kg de fertilizantes em situação irregular. As ações, coordenadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) por meio do Vigifronteiras, contaram com apoio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (DECON), da Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (GARRAS), da Agência de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do Mato Grosso do Sul (IAGRO) e das autoridades sanitárias locais, como a Vigilância Sanitária Municipal de Dourados. As operações fazem parte do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais – Vigifronteiras, e têm como objetivos, dentre outros, a preservação da sanidade dos rebanhos e lavouras do País, a defesa dos direitos dos consumidores e o combate à concorrência desleal representada pelas atividades ilícitas com produtos agropecuários. Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp! O post Toneladas de produtos irregulares são apreendidos em operação no MS e MT apareceu primeiro em Canal Rural.