{"id":8607,"date":"2025-02-09T16:31:52","date_gmt":"2025-02-09T16:31:52","guid":{"rendered":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2025\/02\/09\/solo-mais-acido-diminui-capim-invasor-e-ajuda-a-restaurar-vegetacao-do-cerrado\/"},"modified":"2025-02-09T16:31:52","modified_gmt":"2025-02-09T16:31:52","slug":"solo-mais-acido-diminui-capim-invasor-e-ajuda-a-restaurar-vegetacao-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2025\/02\/09\/solo-mais-acido-diminui-capim-invasor-e-ajuda-a-restaurar-vegetacao-do-cerrado\/","title":{"rendered":"Solo mais \u00e1cido diminui capim invasor e ajuda a restaurar vegeta\u00e7\u00e3o do Cerrado"},"content":{"rendered":"<p> [ad_1]<br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/2025\/02\/earth-312794_1280.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Em estudo publicado na revista <em>Restoration Ecology<\/em>, um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta um caminho promissor para a restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado.<\/p>\n<p>Por meio de um experimento realizado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/goias\/\">Goi\u00e1s<\/a><\/strong>, os autores demonstraram como, diferentemente do que fazem algumas iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o convencionais, n\u00e3o se deve adicionar nutrientes ao solo quando se trata do Cerrado, pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em uma \u00e1rea em restaura\u00e7\u00e3o dentro do parque, os pesquisadores analisaram o crescimento de gram\u00edneas invasoras e de esp\u00e9cies nativas depois da aplica\u00e7\u00e3o de sulfato ferroso, que torna o solo mais \u00e1cido e diminui a disponibilidade de nutrientes. Nos locais em que o mineral foi aplicado, reduziu-se em quase 71% a ocorr\u00eancia de invasoras, sem que houvesse preju\u00edzo para as nativas.<\/p>\n<p>\u201cAs plantas do Cerrado t\u00eam uma baixa demanda nutricional, s\u00e3o de crescimento lento. Enquanto as gram\u00edneas invasoras crescem r\u00e1pido e demandam muitos nutrientes. O sulfato ferroso devolve ao solo a condi\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da original, favorecendo as nativas e dificultando o crescimento das invasoras\u201d, explica Dem\u00e9trius Lira Martins, que conduziu o trabalho durante seu p\u00f3s-doutorado no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, com apoio da Fapesp.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de 50 hectares passou a ser restaurada em 2016, ap\u00f3s cerca de 30 anos como pastagem. Quatro anos depois de retirado o capim ex\u00f3tico, feita a prepara\u00e7\u00e3o do solo e a semeadura de esp\u00e9cies nativas, o local foi novamente tomado pelas gram\u00edneas africanas.<\/p>\n<p>Em 2021, a restaura\u00e7\u00e3o foi retomada. Desta vez, foi estabelecido o experimento para verificar o efeito da acidifica\u00e7\u00e3o do solo na conten\u00e7\u00e3o do capim ex\u00f3tico. Os pesquisadores demarcaram 14 blocos de 100 metros quadrados (m2). Em cada um deles, separaram quatro blocos menores, de 1 m2 cada, separados em 10 metros de dist\u00e2ncia entre si.<\/p>\n<p>Em metade desses blocos, foi aplicado sulfato ferroso no solo antes da semeadura de gram\u00edneas e arbustos nativos. Ap\u00f3s quatro meses da \u00faltima aplica\u00e7\u00e3o, foram coletadas e pesadas amostras das plantas que cresceram em cada quadrado, tanto nativas quanto ex\u00f3ticas.<\/p>\n<p>Ao comparar os blocos, observou-se uma redu\u00e7\u00e3o de 70,7% na biomassa das esp\u00e9cies invasoras onde foi realizada a acidifica\u00e7\u00e3o, sem que houvesse preju\u00edzo \u00e0s esp\u00e9cies nativas.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cA acidifica\u00e7\u00e3o aumentou os n\u00edveis de alum\u00ednio no solo, que \u00e9 t\u00f3xico para plantas convencionais. Mas as esp\u00e9cies nativas lidam muito bem com isso. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a primeira coisa que se faz ap\u00f3s desmatar uma \u00e1rea de Cerrado para lavoura ou pastagem \u00e9 fazer a calagem [aplica\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio], que diminui a disponibilidade de alum\u00ednio e aumenta de outros nutrientes\u201d, conta Martins.<\/p>\n<p>No alto, bloco experimental em in\u00edcio de implementa\u00e7\u00e3o e que teve o solo acidificado ficou livre de capim invasor, com nativas retornando lentamente.<br \/>Na outra foto, local que n\u00e3o recebeu o sulfato ferroso tomado pelas esp\u00e9cies africanas (fotos: Dem\u00e9trius Lira Martins)<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-estrategias\">Estrat\u00e9gias<\/h2>\n<p>O estudo integra o projeto \u201cRestaurando ecossistemas neotropicais secos: seria a composi\u00e7\u00e3o funcional das plantas a chave para o sucesso?\u201d, apoiado pela Fapesp e coordenado por Rafael Silva Oliveira, professor do IB-Unicamp.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia apresentada agora se soma a outras desenvolvidas pelo grupo. Em trabalho anterior, tamb\u00e9m apoiado pela FAPESP, os pesquisadores mostraram como uma maior diversidade de esp\u00e9cies nativas funciona como forma de conter gram\u00edneas invasoras (leia mais em: agencia.fapesp.br\/50773).<\/p>\n<p>No caso da acidifica\u00e7\u00e3o, os pesquisadores ressalvam que o sulfato ferroso \u00e9 apenas um dos compostos que podem realizar essa fun\u00e7\u00e3o. Experimentos no hemisf\u00e9rio Norte, por exemplo, usaram enxofre para o mesmo fim. Mas para realizar algo em grande escala no futuro \u00e9 preciso antes avaliar o melhor custo-benef\u00edcio.<\/p>\n<p>\u201cEm tese, qualquer substrato \u00e1cido pode servir. Uma das op\u00e7\u00f5es poderia ser o res\u00edduo do processamento da cana-de-a\u00e7\u00facar, que \u00e9 abundante e barato. Por sua vez, a cama de frango descartada [serragem ou outro material usado no ch\u00e3o de granjas] \u00e9 bastante \u00e1cida, mas cont\u00e9m muito nitrog\u00eanio, que favorece as invasoras. \u00c9 preciso avaliar os poss\u00edveis impactos de cada op\u00e7\u00e3o e a viabilidade financeira\u201d, pontua o pesquisador.<\/p>\n<p>Ainda segundo Martins, outro fator a ser levado em conta em futuros trabalhos de restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 a comunidade microbiana do solo, algo ainda pouco conhecido quando se trata do Cerrado.<\/p>\n<p>\u201cOs microrganismos do solo s\u00e3o a base da ciclagem de nutrientes. Por isso, formas de trazer de volta os originais do Cerrado s\u00e3o fundamentais para restaurar esse bioma t\u00e3o amea\u00e7ado\u201d, encerra.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>[ad_2]<br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/solo-mais-acido-diminui-capim-invasor-e-ajuda-a-restaurar-vegetacao-do-cerrado\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ad_1] Em estudo publicado na revista Restoration Ecology, um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta um caminho promissor para a restaura\u00e7\u00e3o do Cerrado. Por meio de um experimento realizado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goi\u00e1s, os autores demonstraram como, diferentemente do que fazem algumas iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o convencionais, n\u00e3o se deve adicionar nutrientes ao solo quando se trata do Cerrado, pelo contr\u00e1rio. 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A \u00e1rea de 50 hectares passou a ser restaurada em 2016, ap\u00f3s cerca de 30 anos como pastagem. Quatro anos depois de retirado o capim ex\u00f3tico, feita a prepara\u00e7\u00e3o do solo e a semeadura de esp\u00e9cies nativas, o local foi novamente tomado pelas gram\u00edneas africanas. Em 2021, a restaura\u00e7\u00e3o foi retomada. Desta vez, foi estabelecido o experimento para verificar o efeito da acidifica\u00e7\u00e3o do solo na conten\u00e7\u00e3o do capim ex\u00f3tico. Os pesquisadores demarcaram 14 blocos de 100 metros quadrados (m2). Em cada um deles, separaram quatro blocos menores, de 1 m2 cada, separados em 10 metros de dist\u00e2ncia entre si. Em metade desses blocos, foi aplicado sulfato ferroso no solo antes da semeadura de gram\u00edneas e arbustos nativos. Ap\u00f3s quatro meses da \u00faltima aplica\u00e7\u00e3o, foram coletadas e pesadas amostras das plantas que cresceram em cada quadrado, tanto nativas quanto ex\u00f3ticas. Ao comparar os blocos, observou-se uma redu\u00e7\u00e3o de 70,7% na biomassa das esp\u00e9cies invasoras onde foi realizada a acidifica\u00e7\u00e3o, sem que houvesse preju\u00edzo \u00e0s esp\u00e9cies nativas.\u00a0 \u201cA acidifica\u00e7\u00e3o aumentou os n\u00edveis de alum\u00ednio no solo, que \u00e9 t\u00f3xico para plantas convencionais. Mas as esp\u00e9cies nativas lidam muito bem com isso. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a primeira coisa que se faz ap\u00f3s desmatar uma \u00e1rea de Cerrado para lavoura ou pastagem \u00e9 fazer a calagem [aplica\u00e7\u00e3o de calc\u00e1rio], que diminui a disponibilidade de alum\u00ednio e aumenta de outros nutrientes\u201d, conta Martins. No alto, bloco experimental em in\u00edcio de implementa\u00e7\u00e3o e que teve o solo acidificado ficou livre de capim invasor, com nativas retornando lentamente.Na outra foto, local que n\u00e3o recebeu o sulfato ferroso tomado pelas esp\u00e9cies africanas (fotos: Dem\u00e9trius Lira Martins) Estrat\u00e9gias O estudo integra o projeto \u201cRestaurando ecossistemas neotropicais secos: seria a composi\u00e7\u00e3o funcional das plantas a chave para o sucesso?\u201d, apoiado pela Fapesp e coordenado por Rafael Silva Oliveira, professor do IB-Unicamp. A estrat\u00e9gia apresentada agora se soma a outras desenvolvidas pelo grupo. Em trabalho anterior, tamb\u00e9m apoiado pela FAPESP, os pesquisadores mostraram como uma maior diversidade de esp\u00e9cies nativas funciona como forma de conter gram\u00edneas invasoras (leia mais em: agencia.fapesp.br\/50773). No caso da acidifica\u00e7\u00e3o, os pesquisadores ressalvam que o sulfato ferroso \u00e9 apenas um dos compostos que podem realizar essa fun\u00e7\u00e3o. Experimentos no hemisf\u00e9rio Norte, por exemplo, usaram enxofre para o mesmo fim. Mas para realizar algo em grande escala no futuro \u00e9 preciso antes avaliar o melhor custo-benef\u00edcio. \u201cEm tese, qualquer substrato \u00e1cido pode servir. Uma das op\u00e7\u00f5es poderia ser o res\u00edduo do processamento da cana-de-a\u00e7\u00facar, que \u00e9 abundante e barato. Por sua vez, a cama de frango descartada [serragem ou outro material usado no ch\u00e3o de granjas] \u00e9 bastante \u00e1cida, mas cont\u00e9m muito nitrog\u00eanio, que favorece as invasoras. \u00c9 preciso avaliar os poss\u00edveis impactos de cada op\u00e7\u00e3o e a viabilidade financeira\u201d, pontua o pesquisador. 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