{"id":7267,"date":"2025-01-19T18:55:29","date_gmt":"2025-01-19T18:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2025\/01\/19\/volta-de-trump-ao-poder-deve-acirrar-concorrencia-agricola-entre-brasil-e-eua\/"},"modified":"2025-01-19T18:55:29","modified_gmt":"2025-01-19T18:55:29","slug":"volta-de-trump-ao-poder-deve-acirrar-concorrencia-agricola-entre-brasil-e-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2025\/01\/19\/volta-de-trump-ao-poder-deve-acirrar-concorrencia-agricola-entre-brasil-e-eua\/","title":{"rendered":"Volta de Trump ao poder deve acirrar concorr\u00eancia agr\u00edcola entre Brasil e EUA"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/wp-content\/uploads\/Donald-Trump.jpg\" alt=\"Donald Trump, EUA, Estados Unidos\" \/><figcaption>Foto: The White House\/ Andrea Hanks<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O retorno de Donald Trump \u00e0 presid\u00eancia dos <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/estados-unidos\/\">Estados Unidos<\/a><\/strong> nesta segunda-feira (20) deve acentuar a concorr\u00eancia no agroneg\u00f3cio entre Brasil e Estados Unidos. Trump volta ao poder com o an\u00fancio de pol\u00edticas comerciais protecionistas que, por um lado, podem favorecer o com\u00e9rcio de produtos agropecu\u00e1rios brasileiros a pa\u00edses importadores, como a China mas, de outro lado, tendem a embara\u00e7ar negocia\u00e7\u00f5es para amplia\u00e7\u00f5es e aberturas de mercados entre os pa\u00edses. <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><em> <\/em><strong><em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Para especialistas em com\u00e9rcio exterior e representantes de entidades privadas e do governo, o agroneg\u00f3cio brasileiro pode ganhar com as pol\u00edticas protecionistas de Trump nas exporta\u00e7\u00f5es a outros pa\u00edses, mas perder no pr\u00f3prio com\u00e9rcio com os Estados Unidos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trump e a China<\/h2>\n<p>Nessa equa\u00e7\u00e3o, um dos principais fatores \u00e9 a potencial retomada da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Trump promete aplicar tarifas elevadas sobre produtos importados pelos Estados Unidos e repetir o conflito com o gigante asi\u00e1tico \u2013 t\u00f4nica da sua primeira gest\u00e3o. <\/p>\n<p>Em eventual troca de retalia\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses, o Brasil pode se favorecer do redirecionamento da demanda chinesa de <strong>soja e milho<\/strong>, embora em menor grau ao observado na primeira fase da guerra comercial sino-americana no primeiro mandato de Trump.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 o Brasil ocupar mais espa\u00e7o no fornecimento de gr\u00e3os ao mercado asi\u00e1tico, se confirmada uma escalada do conflito comercial sino-americano, pelo menos no curto prazo. <\/p>\n<p>\u201c<strong>Hoje exportamos 64% de soja, carne, algod\u00e3o e milho para a China,<\/strong> enquanto os Estados Unidos exportam 34%. Portanto, os ganhos n\u00e3o seriam t\u00e3o grandes como foram na primeira fase da guerra comercial, mas pode haver benef\u00edcios no curto e m\u00e9dio prazo\u201d, avalia o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank. <\/p>\n<p>Jank pondera que a China, entretanto, tende a n\u00e3o querer abrir m\u00e3o da possibilidade de adquirir soja do Hemisf\u00e9rio Sul e do Hemisf\u00e9rio Norte em diferentes per\u00edodos do ano a pre\u00e7os mais competitivos. <\/p>\n<p>\u201cOutra preocupa\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio prazo seria um eventual acordo de tr\u00e9gua entre os pa\u00edses, o que faz parte do jogo pol\u00edtico de press\u00e3o e amea\u00e7as do Trump em uma poss\u00edvel cess\u00e3o da China\u201d, pontua Jank.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da diretora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), Sueme Mori, o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de ampliar o fornecimento de alimentos para a China e demais destinos, seja a demanda adicional gerada por uma guerra comercial ou por quest\u00f5es clim\u00e1ticas adversas. Mori pondera que a disputa sino-americana pode ser mais cr\u00edtica em compara\u00e7\u00e3o com a primeira fase. <\/p>\n<p>\u201cA composi\u00e7\u00e3o do governo Trump 2 ser\u00e1 diferente do Trump 1 pela situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica global. Trump volta com maior legitimidade, apoio pol\u00edtico interno e liberdade para, inclusive, intensificar uma guerra comercial com a China. Por outro lado, a China mant\u00e9m uma influ\u00eancia geopol\u00edtica muito grande\u201d, observou. <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cTemos de aguardar a chegada de Trump ao governo para ver as medidas implementadas e tamb\u00e9m como o Brasil vai se comportar nesse cen\u00e1rio. Defendemos o pragmatismo nas rela\u00e7\u00f5es porque o agroneg\u00f3cio brasileiro vende para o mundo inteiro\u201d, argumenta Mori.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rela\u00e7\u00f5es com o Brasil<\/h2>\n<p>J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com o Brasil, al\u00e9m do distanciamento ideol\u00f3gico entre os governos Trump e Lula \u2013 que declarou apoio \u00e0 democrata Kamala Harris -, a postura de Trump de maior protecionismo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local pode atrapalhar as tratativas para aberturas e amplia\u00e7\u00f5es de mercados entre os pa\u00edses. Diplomatas que atuam nos Estados Unidos avaliam que a possibilidade de ampliar a cota de carne bovina (hoje de 65 mil toneladas ao ano) e de a\u00e7\u00facar brasileiro (volumes estipulados por ano) vendidos ao mercado norte-americano depender\u00e3o de contrapartida brasileira \u2013 como a redu\u00e7\u00e3o da tarifa sobre importa\u00e7\u00e3o de etanol dos EUA. <\/p>\n<p>O Brasil quer tamb\u00e9m vender mais frutas aos Estados Unidos, como lim\u00e3o-taiti, enquanto os Estados Unidos querem ampliar vendas de vinhos, carnes premium, peras, cerejas, salm\u00e3o selvagem e prote\u00edna de leite.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos foram o segundo principal destino dos produtos agropecu\u00e1rios brasileiros no ano passado, com exporta\u00e7\u00f5es de US$ 12,092 bilh\u00f5es, respondendo por 7,4% do total exportado pelo agroneg\u00f3cio no ano. Os embarques concentram-se em caf\u00e9 verde, celulose, carne bovina<em> in natura<\/em>, suco de laranja e couro, segundo dados do sistema de estat\u00edsticas de com\u00e9rcio exterior do agroneg\u00f3cio brasileiro. J\u00e1 o Brasil importou US$ 1,028 bilh\u00e3o em produtos do agroneg\u00f3cio dos Estados Unidos no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Do lado do governo brasileiro, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manter as negocia\u00e7\u00f5es bilaterais em andamento e a rela\u00e7\u00e3o comercial \u201cde confian\u00e7a, a despeito de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d, segundo o secret\u00e1rio de Com\u00e9rcio e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Minist\u00e9rio da Agricultura, Luis Rua. <\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos s\u00e3o um importante parceiro do Brasil tamb\u00e9m do ponto de vista de investimentos e com um ecossistema de inova\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria importante. A ideia \u00e9 manter uma rela\u00e7\u00e3o fluida, exportando produtos complementares \u00e0 pauta, como o caf\u00e9, entre outros, e aprofundando a rela\u00e7\u00e3o no que for poss\u00edvel\u201d, afirmou Rua. <\/p>\n<p>\u201cDependendo da pol\u00edtica comercial que for adotada pelo presidente Trump, o Brasil sempre estar\u00e1 dispon\u00edvel aos demais pa\u00edses do mundo para prover eventuais necessidades que esses pa\u00edses possam ter em virtude de uma poss\u00edvel escalada protecionista nos Estados Unidos com reflexo nos produtos exportados pelos norte-americanos\u201d, acrescentou Rua, em entrevista recente.<\/p>\n<p>Para Jank, o Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds que apresenta amea\u00e7a \u00e0 pol\u00edtica comercial de Trump, por ser uma balan\u00e7a comercial geral deficit\u00e1ria para os produtos brasileiros \u2013 em 2024, exporta\u00e7\u00f5es totais atingiram US$ 40,330 bilh\u00f5es ante importa\u00e7\u00f5es de US$ 40,583 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p>\u201cOs americanos v\u00e3o escolher amigos e inimigos para as pol\u00edticas comerciais. Do ponto de vista do Brasil, n\u00e3o h\u00e1 fatores comerciais que possam afetar as rela\u00e7\u00f5es bilaterais, pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 potenciais similaridades e contribui\u00e7\u00f5es em biocombust\u00edveis e tecnologia agr\u00edcola\u201d, afirmou o professor do Insper. <\/p>\n<p>Em contrapartida, Jank v\u00ea possibilidade de maior press\u00e3o dos Estados Unidos para a diminui\u00e7\u00e3o da tarifa aplicada sobre o etanol exportado ao Brasil, hoje de 18%. Ele enxerga tamb\u00e9m fundamentos de mercado para o Brasil buscar o aumento da cota de carne bovina exportada aos EUA em virtude da crise na pecu\u00e1ria local.<\/p>\n<p>Para Mori, da CNA, o interesse do agroneg\u00f3cio brasileiro em ampliar o com\u00e9rcio com os Estados Unidos continua. \u201cA expectativa \u00e9 que o pragmatismo seja mantido. N\u00e3o h\u00e1 sinaliza\u00e7\u00f5es de que isso v\u00e1 mudar. Historicamente, j\u00e1 vimos outros momentos de desgaste entre governos e aus\u00eancia de impactos em n\u00fameros da balan\u00e7a comercial\u201d, pontuou.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carne e a\u00e7\u00facar<\/h2>\n<p>J\u00e1 representantes da ind\u00fastria da carne e do setor sucroenerg\u00e9tico n\u00e3o esperam avan\u00e7os nas negocia\u00e7\u00f5es para ampliar a cota de exporta\u00e7\u00e3o sem tarifas de carne bovina e a\u00e7\u00facar brasileiros ao mercado norte-americano. <\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos tendem a continuar recorrendo \u00e0 carne brasileira em virtude dos problemas dom\u00e9sticos de oferta, mas a redu\u00e7\u00e3o de tarifas \u00e9 pouco prov\u00e1vel. O cen\u00e1rio atual j\u00e1 \u00e9 favor\u00e1vel ao Brasil\u201d, observou fonte do setor exportador. Em 2024, o Brasil exportou 229 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos, somando US$ 1,35 bilh\u00e3o em divisas.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos s\u00e3o hoje ainda o principal destino do caf\u00e9 brasileiro, com 471,539 mil toneladas (7,859 milh\u00f5es de sacas) exportadas no ano passado. Interlocutores da ind\u00fastria acreditam que tende a prevalecer a \u201cracionalidade comercial\u201d baseada no pragmatismo e no bom relacionamento entre os traders.<\/p>\n<p>O professor em\u00e9rito da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues avalia que as demandas de mercado devem prevalecer sobre as quest\u00f5es ideol\u00f3gicas na rela\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses. <\/p>\n<p>\u201cO que importa \u00e9 o mercado funcionar adequadamente para que a gente continue participando dele tamb\u00e9m adequadamente\u201d, diz Rodrigues. Para o professor, \u201cpode haver mais protecionismo\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos produtos agropecu\u00e1rios do Brasil. \u201cMas o Brasil tem de negociar. Nossa diplomacia tem de negociar com parcim\u00f4nia e compet\u00eancia e estar aberta para todo mundo e para o mundo todo\u201d, ressalta. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do ex-ministro, se considerado o primeiro mandato de Trump, os efeitos sobre o agroneg\u00f3cio tendem a incluir a tend\u00eancia \u00e9 de maior \u201cdesglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, com implica\u00e7\u00e3o no enfraquecimento de organiza\u00e7\u00f5es multilaterais, como a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). <\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 ruim para todo mundo, inclusive para o Brasil tamb\u00e9m. Sem organismos multilaterais, n\u00e3o h\u00e1 rumo\u201d, conclui.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/economia\/volta-de-trump-ao-poder-deve-acirrar-concorrencia-agricola-entre-brasil-e-eua\/\">Volta de Trump ao poder deve acirrar concorr\u00eancia agr\u00edcola entre Brasil e EUA<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/\">Canal Rural<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: The White House\/ Andrea Hanks O retorno de Donald Trump \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos nesta segunda-feira (20) deve acentuar a concorr\u00eancia no agroneg\u00f3cio entre Brasil e Estados Unidos. Trump volta ao poder com o an\u00fancio de pol\u00edticas comerciais protecionistas que, por um lado, podem favorecer o com\u00e9rcio de produtos agropecu\u00e1rios brasileiros a pa\u00edses importadores, como a China mas, de outro lado, tendem a embara\u00e7ar negocia\u00e7\u00f5es para amplia\u00e7\u00f5es e aberturas de mercados entre os pa\u00edses. Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Para especialistas em com\u00e9rcio exterior e representantes de entidades privadas e do governo, o agroneg\u00f3cio brasileiro pode ganhar com as pol\u00edticas protecionistas de Trump nas exporta\u00e7\u00f5es a outros pa\u00edses, mas perder no pr\u00f3prio com\u00e9rcio com os Estados Unidos. Trump e a China Nessa equa\u00e7\u00e3o, um dos principais fatores \u00e9 a potencial retomada da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Trump promete aplicar tarifas elevadas sobre produtos importados pelos Estados Unidos e repetir o conflito com o gigante asi\u00e1tico \u2013 t\u00f4nica da sua primeira gest\u00e3o. Em eventual troca de retalia\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses, o Brasil pode se favorecer do redirecionamento da demanda chinesa de soja e milho, embora em menor grau ao observado na primeira fase da guerra comercial sino-americana no primeiro mandato de Trump. A tend\u00eancia \u00e9 o Brasil ocupar mais espa\u00e7o no fornecimento de gr\u00e3os ao mercado asi\u00e1tico, se confirmada uma escalada do conflito comercial sino-americano, pelo menos no curto prazo. \u201cHoje exportamos 64% de soja, carne, algod\u00e3o e milho para a China, enquanto os Estados Unidos exportam 34%. Portanto, os ganhos n\u00e3o seriam t\u00e3o grandes como foram na primeira fase da guerra comercial, mas pode haver benef\u00edcios no curto e m\u00e9dio prazo\u201d, avalia o coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank. Jank pondera que a China, entretanto, tende a n\u00e3o querer abrir m\u00e3o da possibilidade de adquirir soja do Hemisf\u00e9rio Sul e do Hemisf\u00e9rio Norte em diferentes per\u00edodos do ano a pre\u00e7os mais competitivos. \u201cOutra preocupa\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio prazo seria um eventual acordo de tr\u00e9gua entre os pa\u00edses, o que faz parte do jogo pol\u00edtico de press\u00e3o e amea\u00e7as do Trump em uma poss\u00edvel cess\u00e3o da China\u201d, pontua Jank. Na avalia\u00e7\u00e3o da diretora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), Sueme Mori, o Brasil tem condi\u00e7\u00f5es de ampliar o fornecimento de alimentos para a China e demais destinos, seja a demanda adicional gerada por uma guerra comercial ou por quest\u00f5es clim\u00e1ticas adversas. Mori pondera que a disputa sino-americana pode ser mais cr\u00edtica em compara\u00e7\u00e3o com a primeira fase. \u201cA composi\u00e7\u00e3o do governo Trump 2 ser\u00e1 diferente do Trump 1 pela situa\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica global. Trump volta com maior legitimidade, apoio pol\u00edtico interno e liberdade para, inclusive, intensificar uma guerra comercial com a China. Por outro lado, a China mant\u00e9m uma influ\u00eancia geopol\u00edtica muito grande\u201d, observou. \u201cTemos de aguardar a chegada de Trump ao governo para ver as medidas implementadas e tamb\u00e9m como o Brasil vai se comportar nesse cen\u00e1rio. Defendemos o pragmatismo nas rela\u00e7\u00f5es porque o agroneg\u00f3cio brasileiro vende para o mundo inteiro\u201d, argumenta Mori. Rela\u00e7\u00f5es com o Brasil J\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com o Brasil, al\u00e9m do distanciamento ideol\u00f3gico entre os governos Trump e Lula \u2013 que declarou apoio \u00e0 democrata Kamala Harris -, a postura de Trump de maior protecionismo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local pode atrapalhar as tratativas para aberturas e amplia\u00e7\u00f5es de mercados entre os pa\u00edses. Diplomatas que atuam nos Estados Unidos avaliam que a possibilidade de ampliar a cota de carne bovina (hoje de 65 mil toneladas ao ano) e de a\u00e7\u00facar brasileiro (volumes estipulados por ano) vendidos ao mercado norte-americano depender\u00e3o de contrapartida brasileira \u2013 como a redu\u00e7\u00e3o da tarifa sobre importa\u00e7\u00e3o de etanol dos EUA. O Brasil quer tamb\u00e9m vender mais frutas aos Estados Unidos, como lim\u00e3o-taiti, enquanto os Estados Unidos querem ampliar vendas de vinhos, carnes premium, peras, cerejas, salm\u00e3o selvagem e prote\u00edna de leite. Os Estados Unidos foram o segundo principal destino dos produtos agropecu\u00e1rios brasileiros no ano passado, com exporta\u00e7\u00f5es de US$ 12,092 bilh\u00f5es, respondendo por 7,4% do total exportado pelo agroneg\u00f3cio no ano. Os embarques concentram-se em caf\u00e9 verde, celulose, carne bovina in natura, suco de laranja e couro, segundo dados do sistema de estat\u00edsticas de com\u00e9rcio exterior do agroneg\u00f3cio brasileiro. J\u00e1 o Brasil importou US$ 1,028 bilh\u00e3o em produtos do agroneg\u00f3cio dos Estados Unidos no \u00faltimo ano. Do lado do governo brasileiro, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manter as negocia\u00e7\u00f5es bilaterais em andamento e a rela\u00e7\u00e3o comercial \u201cde confian\u00e7a, a despeito de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d, segundo o secret\u00e1rio de Com\u00e9rcio e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Minist\u00e9rio da Agricultura, Luis Rua. \u201cOs Estados Unidos s\u00e3o um importante parceiro do Brasil tamb\u00e9m do ponto de vista de investimentos e com um ecossistema de inova\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria importante. A ideia \u00e9 manter uma rela\u00e7\u00e3o fluida, exportando produtos complementares \u00e0 pauta, como o caf\u00e9, entre outros, e aprofundando a rela\u00e7\u00e3o no que for poss\u00edvel\u201d, afirmou Rua. \u201cDependendo da pol\u00edtica comercial que for adotada pelo presidente Trump, o Brasil sempre estar\u00e1 dispon\u00edvel aos demais pa\u00edses do mundo para prover eventuais necessidades que esses pa\u00edses possam ter em virtude de uma poss\u00edvel escalada protecionista nos Estados Unidos com reflexo nos produtos exportados pelos norte-americanos\u201d, acrescentou Rua, em entrevista recente. Para Jank, o Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds que apresenta amea\u00e7a \u00e0 pol\u00edtica comercial de Trump, por ser uma balan\u00e7a comercial geral deficit\u00e1ria para os produtos brasileiros \u2013 em 2024, exporta\u00e7\u00f5es totais atingiram US$ 40,330 bilh\u00f5es ante importa\u00e7\u00f5es de US$ 40,583 bilh\u00f5es. \u201cOs americanos v\u00e3o escolher amigos e inimigos para as pol\u00edticas comerciais. Do ponto de vista do Brasil, n\u00e3o h\u00e1 fatores comerciais que possam afetar as rela\u00e7\u00f5es bilaterais, pelo contr\u00e1rio, h\u00e1 potenciais similaridades e contribui\u00e7\u00f5es em biocombust\u00edveis e tecnologia agr\u00edcola\u201d, afirmou o professor do Insper. Em contrapartida, Jank v\u00ea possibilidade de maior press\u00e3o dos Estados Unidos para a diminui\u00e7\u00e3o da tarifa aplicada sobre o etanol exportado ao Brasil, hoje de 18%. 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