{"id":5856,"date":"2024-12-22T16:41:15","date_gmt":"2024-12-22T16:41:15","guid":{"rendered":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2024\/12\/22\/repasse-do-dolar-aos-precos-esta-maior-que-o-normal-e-eleva-preocupacao-com-inflacao\/"},"modified":"2024-12-22T16:41:15","modified_gmt":"2024-12-22T16:41:15","slug":"repasse-do-dolar-aos-precos-esta-maior-que-o-normal-e-eleva-preocupacao-com-inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2024\/12\/22\/repasse-do-dolar-aos-precos-esta-maior-que-o-normal-e-eleva-preocupacao-com-inflacao\/","title":{"rendered":"Repasse do d\u00f3lar aos pre\u00e7os est\u00e1 maior que o normal e eleva preocupa\u00e7\u00e3o com infla\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/2024\/10\/zwxECHG6-D%C3%B3lar.jpg\" alt=\"Fed, d\u00f3lar\" \/><figcaption>Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Se um d\u00f3lar ao redor de R$ 6 por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o com a infla\u00e7\u00e3o, o momento atual exige ainda mais cuidado, porque o repasse da desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira para os pre\u00e7os ao consumidor est\u00e1 ainda mais forte.<\/p>\n<p>O chamado <em>pass through<\/em> maior decorre da atual din\u00e2mica da economia brasileira, que opera acima da capacidade. Incertezas com os rumos da pol\u00edtica fiscal e a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria prospectiva da infla\u00e7\u00e3o adicionam mais cautela ao cen\u00e1rio, turbinando o efeito da moeda nos itens vendidos ao consumidor.<\/p>\n<p>O repasse do c\u00e2mbio, ali\u00e1s, foi mencionado pelo Banco Central na ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/copom\/\">(Copom)<\/a><\/strong> de dezembro, que elevou a Selic para 12,25% ao ano e indicou mais dois aumentos de 1 ponto percentual. No texto, o colegiado citou que o repasse \u201caumenta quando a demanda est\u00e1 mais forte, as expectativas est\u00e3o desancoradas ou o movimento cambial \u00e9 considerado mais persistente\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA economia parece ter v\u00e1rios desequil\u00edbrios atualmente, com destaque para uma demanda que est\u00e1 esticada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta\u201d, refor\u00e7a o economista da consultoria Quantitas Jo\u00e3o Fernandes. \u201cCome\u00e7a-se a antecipar que haver\u00e1 efeitos inflacion\u00e1rios, mas ningu\u00e9m sabe ao certo o tamanho deles. Com um ambiente de d\u00f3lar alto, as pessoas [formadores de pre\u00e7o] pensam: \u2018eu n\u00e3o sei quanto mais esse d\u00f3lar vai subir, mas isso vai virar custo para mim, ent\u00e3o \u00e9 melhor eu repassar essa desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial logo&#8217;\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Ele trabalha hoje, em seus modelos de proje\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o, com um <em>pass through <\/em>do c\u00e2mbio entre 8% e 10%, isto \u00e9, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio de 10% pode levar, no limite, a um \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) de quatro trimestres \u00e0 frente 1,0 ponto porcentual mais alto. \u201cAt\u00e9 mais ou menos 2021, esse repasse era mais baixo, entre 6% e 7%\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Fernandes ressalta, contudo, que h\u00e1 grada\u00e7\u00f5es diferentes desse repasse, a depender do tipo de item, j\u00e1 que nos alimentos (14%) e bens industriais (8%) a tend\u00eancia do repasse \u00e9 muito mais forte do que nos servi\u00e7os (2%).<\/p>\n<p>O economista da Terra Investimentos Homero Guizzo tem uma an\u00e1lise semelhante, j\u00e1 que, segundo ele, em momentos em que a economia opera muito pr\u00f3xima ou acima de sua capacidade, como o atual, \u00e9 natural que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio seja repassada com mais rapidez e for\u00e7a aos pre\u00e7os ao consumidor. \u201cSe o hiato do produto efetivo estivesse um pouco acima, e n\u00e3o expressivamente acima, a deprecia\u00e7\u00e3o seria absorvida nas cadeias de distribui\u00e7\u00e3o mais facilmente\u201d, afirma Guizzo.<\/p>\n<p>Ele calcula que o pass through da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial costumava ficar em torno de 4%, mas, no ambiente atual est\u00e1 em 8%. Ou seja, a cada 10% de desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda, o headline do IPCA aumenta 0,8 ponto percentual, estimativa pr\u00f3xima a da Quantitas.<\/p>\n<p>J\u00e1 a estrategista de infla\u00e7\u00e3o da Warren Investimentos, Andr\u00e9a \u00c2ngelo, atenta n\u00e3o s\u00f3 para a intensidade desse repasse, mas para sua velocidade, que tamb\u00e9m est\u00e1 maior.<\/p>\n<p>Ela conta que um estudo feito pela Warren apontou que a defasagem de movimentos de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial para os pre\u00e7os ao consumidor, que no per\u00edodo pr\u00e9-pandemia durava at\u00e9 quatro trimestres, hoje tem ocorrido praticamente dentro de apenas um trimestre, ao menos numa cesta espec\u00edfica de itens, que tem correla\u00e7\u00e3o mais forte com a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. A cesta inclui principalmente bens como m\u00f3veis, eletroeletr\u00f4nicos e itens de higiene pessoal e limpeza.<\/p>\n<p>\u201cEntendemos que esse momento de repasse maior e mais r\u00e1pido pode ter a ver com essas vari\u00e1veis, como economia sobreaquecida e as expectativas de infla\u00e7\u00e3o mais elevadas\u201d, comenta \u00c2ngelo.<\/p>\n<p>Ela destaca ainda que os pre\u00e7os atualmente t\u00eam refletido o movimento do d\u00f3lar entre julho e outubro, de cerca de R$ 5,55 para a casa de R$ 5,80. A desvaloriza\u00e7\u00e3o mais recente do c\u00e2mbio, de R$ 5,80 para R$ 6, portanto, s\u00f3 deve ser sentida a partir dos meses iniciais de 2025, afirma. A Warren projeta IPCA de 4,9% em 2024 e 5,15% ao final do ano que vem.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise \u00e9 corroborada por Fernandes, da Quantitas: \u201co grosso do efeito da \u00faltima desvaloriza\u00e7\u00e3o vai pegar na infla\u00e7\u00e3o ao longo de 2025, com bens e alimentos sendo os vil\u00f5es. Os servi\u00e7os j\u00e1 estavam altos e v\u00e3o continuar altos\u201d, diz o economista. Ele trabalha com um cen\u00e1rio em que o IPCA sai de 4,8% no fim de 2024 e vai a 5,5% no encerramento de 2025. \u201cEsse 0,7 pp a mais majoritariamente reflete alimentos e bens, que \u00e9 aquilo que est\u00e1 sendo muito influenciado pelo c\u00e2mbio\u201d, emenda.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/economia\/repasse-do-dolar-aos-precos-esta-maior-que-o-normal-e-eleva-preocupacao-com-inflacao\/\">Repasse do d\u00f3lar aos pre\u00e7os est\u00e1 maior que o normal e eleva preocupa\u00e7\u00e3o com infla\u00e7\u00e3o<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/\">Canal Rural<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Pixabay Se um d\u00f3lar ao redor de R$ 6 por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o com a infla\u00e7\u00e3o, o momento atual exige ainda mais cuidado, porque o repasse da desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira para os pre\u00e7os ao consumidor est\u00e1 ainda mais forte. O chamado pass through maior decorre da atual din\u00e2mica da economia brasileira, que opera acima da capacidade. Incertezas com os rumos da pol\u00edtica fiscal e a pr\u00f3pria trajet\u00f3ria prospectiva da infla\u00e7\u00e3o adicionam mais cautela ao cen\u00e1rio, turbinando o efeito da moeda nos itens vendidos ao consumidor. O repasse do c\u00e2mbio, ali\u00e1s, foi mencionado pelo Banco Central na ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) de dezembro, que elevou a Selic para 12,25% ao ano e indicou mais dois aumentos de 1 ponto percentual. No texto, o colegiado citou que o repasse \u201caumenta quando a demanda est\u00e1 mais forte, as expectativas est\u00e3o desancoradas ou o movimento cambial \u00e9 considerado mais persistente\u201d. \u201cA economia parece ter v\u00e1rios desequil\u00edbrios atualmente, com destaque para uma demanda que est\u00e1 esticada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta\u201d, refor\u00e7a o economista da consultoria Quantitas Jo\u00e3o Fernandes. \u201cCome\u00e7a-se a antecipar que haver\u00e1 efeitos inflacion\u00e1rios, mas ningu\u00e9m sabe ao certo o tamanho deles. Com um ambiente de d\u00f3lar alto, as pessoas [formadores de pre\u00e7o] pensam: \u2018eu n\u00e3o sei quanto mais esse d\u00f3lar vai subir, mas isso vai virar custo para mim, ent\u00e3o \u00e9 melhor eu repassar essa desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial logo&#8217;\u201d, detalha. 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O economista da Terra Investimentos Homero Guizzo tem uma an\u00e1lise semelhante, j\u00e1 que, segundo ele, em momentos em que a economia opera muito pr\u00f3xima ou acima de sua capacidade, como o atual, \u00e9 natural que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio seja repassada com mais rapidez e for\u00e7a aos pre\u00e7os ao consumidor. \u201cSe o hiato do produto efetivo estivesse um pouco acima, e n\u00e3o expressivamente acima, a deprecia\u00e7\u00e3o seria absorvida nas cadeias de distribui\u00e7\u00e3o mais facilmente\u201d, afirma Guizzo. Ele calcula que o pass through da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial costumava ficar em torno de 4%, mas, no ambiente atual est\u00e1 em 8%. Ou seja, a cada 10% de desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda, o headline do IPCA aumenta 0,8 ponto percentual, estimativa pr\u00f3xima a da Quantitas. 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Ela destaca ainda que os pre\u00e7os atualmente t\u00eam refletido o movimento do d\u00f3lar entre julho e outubro, de cerca de R$ 5,55 para a casa de R$ 5,80. A desvaloriza\u00e7\u00e3o mais recente do c\u00e2mbio, de R$ 5,80 para R$ 6, portanto, s\u00f3 deve ser sentida a partir dos meses iniciais de 2025, afirma. A Warren projeta IPCA de 4,9% em 2024 e 5,15% ao final do ano que vem. A an\u00e1lise \u00e9 corroborada por Fernandes, da Quantitas: \u201co grosso do efeito da \u00faltima desvaloriza\u00e7\u00e3o vai pegar na infla\u00e7\u00e3o ao longo de 2025, com bens e alimentos sendo os vil\u00f5es. Os servi\u00e7os j\u00e1 estavam altos e v\u00e3o continuar altos\u201d, diz o economista. Ele trabalha com um cen\u00e1rio em que o IPCA sai de 4,8% no fim de 2024 e vai a 5,5% no encerramento de 2025. \u201cEsse 0,7 pp a mais majoritariamente reflete alimentos e bens, que \u00e9 aquilo que est\u00e1 sendo muito influenciado pelo c\u00e2mbio\u201d, emenda. 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