{"id":11698,"date":"2025-05-24T20:20:47","date_gmt":"2025-05-24T20:20:47","guid":{"rendered":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2025\/05\/24\/estudo-resgata-lembrancas-do-sertao-por-quem-viveu-seca-e-fartura\/"},"modified":"2025-05-24T20:20:47","modified_gmt":"2025-05-24T20:20:47","slug":"estudo-resgata-lembrancas-do-sertao-por-quem-viveu-seca-e-fartura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senhorafrutta.com.br\/index.php\/2025\/05\/24\/estudo-resgata-lembrancas-do-sertao-por-quem-viveu-seca-e-fartura\/","title":{"rendered":"Estudo resgata lembran\u00e7as do sert\u00e3o por quem viveu seca e fartura"},"content":{"rendered":"<p> [ad_1]<br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/2025\/05\/zona-rural.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Uma pesquisa realizada pelo antrop\u00f3logo Renan Martins Pereira revela uma perspectiva pouco explorada sobre o sert\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/pernambuco\/\">Pernambuco<\/a>. <\/p>\n<p>Com base em entrevistas com antigos vaqueiros e ex-moradores da zona rural de Floresta, o estudo resgata mem\u00f3rias de um passado de fartura, um tempo em que, segundo os relatos, \u201chavia mais peixes nos rios, mais \u00e1rvores na caatinga e mais alimento na mesa\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa busca ressignificar as secas e a abund\u00e2ncia n\u00e3o como opostos, mas como categorias que coexistiam no passado. Segundo o pesquisador, a fartura evocada pelos mais velhos n\u00e3o \u00e9 uma romantiza\u00e7\u00e3o do passado, mas uma cr\u00edtica ecol\u00f3gica ao presente. <\/p>\n<p>\u201cQuando eles dizem que antes havia mais fartura, est\u00e3o, na verdade, apontando para o que se perdeu\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-vegetacao-nativa-preservada\">Vegeta\u00e7\u00e3o nativa preservada<\/h2>\n<p>O artigo mostra como esses moradores mais velhos articulam recorda\u00e7\u00f5es de escassez e fartura. Nessa mem\u00f3ria multifacetada, houve secas, sim; mas tamb\u00e9m houve abund\u00e2ncia \u2013 basicamente relacionada \u00e0 biodiversidade, no caso tratado no artigo. <\/p>\n<p>\u201cOs sertanejos falam de uma vegeta\u00e7\u00e3o nativa mais preservada, de rebanhos numerosos e de maior oferta de alimentos. Essa mem\u00f3ria da fartura n\u00e3o exclui a lembran\u00e7a das grandes secas, mas sugere que houve uma transforma\u00e7\u00e3o profunda na rela\u00e7\u00e3o dos habitantes com o meio ambiente\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Os relatos de antigos vaqueiros e ex-moradores do campo, como Z\u00e9 Ferraz, Cirilo Diniz e Ant\u00f4nio Jos\u00e9 do Nascimento, retratam um sert\u00e3o em que o gado era robusto, a pesca era abundante e o solo produzia com maior regularidade. <\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cEssa mem\u00f3ria n\u00e3o tem um car\u00e1ter apenas nost\u00e1lgico, mas serve como um alerta sobre a mudan\u00e7a no uso da terra, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Os mais velhos n\u00e3o falam apenas de saudade, falam de perda real\u201d, argumenta Pereira.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-tradicoes-desaparecendo\">Tradi\u00e7\u00f5es desaparecendo<\/h2>\n<p>As mudan\u00e7as no uso da terra, a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e a urbaniza\u00e7\u00e3o alteraram radicalmente o modo de vida no sert\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cO \u00eaxodo rural reduziu a intera\u00e7\u00e3o humana com a Caatinga e as pr\u00e1ticas tradicionais de manejo est\u00e3o desaparecendo. Muitos dizem que antes havia mais organiza\u00e7\u00e3o na vida do campo, que as festas comunit\u00e1rias eram frequentes, que existia um sentimento de coletividade que hoje se perdeu\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as secas atuais s\u00e3o percebidas como mais severas e prolongadas. Ele acrescenta que o conceito de \u201cmem\u00f3ria ecol\u00f3gica\u201d, fundamental para o argumento do seu artigo, ajuda a compreender como os sertanejos interpretam essas transforma\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 com base em dados objetivos, mas tamb\u00e9m por meio de experi\u00eancias vividas e narradas.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-memoria-viva-do-sertao\">Mem\u00f3ria viva do sert\u00e3o<\/h2>\n<p>Em sua an\u00e1lise, o pesquisador recorre ao conceito de \u201cdura\u00e7\u00e3o\u201d do fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson (1859-1941). \u201cA mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 um arquivo est\u00e1tico do passado, mas algo vivo, que transforma a percep\u00e7\u00e3o do presente e projeta futuros poss\u00edveis\u201d, diz. <\/p>\n<p>Essa abordagem permite enxergar as recorda\u00e7\u00f5es das secas e da abund\u00e2ncia como formas de resist\u00eancia cultural e ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>\u201cA fartura, tal como \u00e9 recordada, configura um conceito amplo. Ela diz respeito n\u00e3o apenas \u00e0 quantidade de comida na mesa, mas tamb\u00e9m \u00e0 rela\u00e7\u00e3o das pessoas com a terra, ao respeito pelos ciclos da natureza, \u00e0 seguran\u00e7a que vinha de um ambiente previs\u00edvel. Hoje, muitos dos meus interlocutores dizem que essa fartura acabou.\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisa de Renan Martins Pereira reconfigura o entendimento do sert\u00e3o. \u201cMais do que um espa\u00e7o de sofrimento, o semi\u00e1rido \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de vida, de saberes ancestrais e de hist\u00f3rias que desafiam a no\u00e7\u00e3o de um passado perdido\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n<p>Em um mundo em crise ambiental, as mem\u00f3rias do sert\u00e3o podem oferecer li\u00e7\u00f5es valiosas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p>[ad_2]<br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/sustentabilidade\/estudo-resgata-lembrancas-do-sertao-por-quem-viveu-seca-e-fartura\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[ad_1] Uma pesquisa realizada pelo antrop\u00f3logo Renan Martins Pereira revela uma perspectiva pouco explorada sobre o sert\u00e3o de Pernambuco. Com base em entrevistas com antigos vaqueiros e ex-moradores da zona rural de Floresta, o estudo resgata mem\u00f3rias de um passado de fartura, um tempo em que, segundo os relatos, \u201chavia mais peixes nos rios, mais \u00e1rvores na caatinga e mais alimento na mesa\u201d. A pesquisa busca ressignificar as secas e a abund\u00e2ncia n\u00e3o como opostos, mas como categorias que coexistiam no passado. Segundo o pesquisador, a fartura evocada pelos mais velhos n\u00e3o \u00e9 uma romantiza\u00e7\u00e3o do passado, mas uma cr\u00edtica ecol\u00f3gica ao presente. \u201cQuando eles dizem que antes havia mais fartura, est\u00e3o, na verdade, apontando para o que se perdeu\u201d, afirma o pesquisador. Vegeta\u00e7\u00e3o nativa preservada O artigo mostra como esses moradores mais velhos articulam recorda\u00e7\u00f5es de escassez e fartura. Nessa mem\u00f3ria multifacetada, houve secas, sim; mas tamb\u00e9m houve abund\u00e2ncia \u2013 basicamente relacionada \u00e0 biodiversidade, no caso tratado no artigo. \u201cOs sertanejos falam de uma vegeta\u00e7\u00e3o nativa mais preservada, de rebanhos numerosos e de maior oferta de alimentos. Essa mem\u00f3ria da fartura n\u00e3o exclui a lembran\u00e7a das grandes secas, mas sugere que houve uma transforma\u00e7\u00e3o profunda na rela\u00e7\u00e3o dos habitantes com o meio ambiente\u201d, afirma o pesquisador. Os relatos de antigos vaqueiros e ex-moradores do campo, como Z\u00e9 Ferraz, Cirilo Diniz e Ant\u00f4nio Jos\u00e9 do Nascimento, retratam um sert\u00e3o em que o gado era robusto, a pesca era abundante e o solo produzia com maior regularidade. \u201cEssa mem\u00f3ria n\u00e3o tem um car\u00e1ter apenas nost\u00e1lgico, mas serve como um alerta sobre a mudan\u00e7a no uso da terra, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Os mais velhos n\u00e3o falam apenas de saudade, falam de perda real\u201d, argumenta Pereira. Tradi\u00e7\u00f5es desaparecendo As mudan\u00e7as no uso da terra, a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e a urbaniza\u00e7\u00e3o alteraram radicalmente o modo de vida no sert\u00e3o. \u201cO \u00eaxodo rural reduziu a intera\u00e7\u00e3o humana com a Caatinga e as pr\u00e1ticas tradicionais de manejo est\u00e3o desaparecendo. Muitos dizem que antes havia mais organiza\u00e7\u00e3o na vida do campo, que as festas comunit\u00e1rias eram frequentes, que existia um sentimento de coletividade que hoje se perdeu\u201d, conta o pesquisador. Ao mesmo tempo, as secas atuais s\u00e3o percebidas como mais severas e prolongadas. Ele acrescenta que o conceito de \u201cmem\u00f3ria ecol\u00f3gica\u201d, fundamental para o argumento do seu artigo, ajuda a compreender como os sertanejos interpretam essas transforma\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 com base em dados objetivos, mas tamb\u00e9m por meio de experi\u00eancias vividas e narradas. Mem\u00f3ria viva do sert\u00e3o Em sua an\u00e1lise, o pesquisador recorre ao conceito de \u201cdura\u00e7\u00e3o\u201d do fil\u00f3sofo franc\u00eas Henri Bergson (1859-1941). \u201cA mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 um arquivo est\u00e1tico do passado, mas algo vivo, que transforma a percep\u00e7\u00e3o do presente e projeta futuros poss\u00edveis\u201d, diz. Essa abordagem permite enxergar as recorda\u00e7\u00f5es das secas e da abund\u00e2ncia como formas de resist\u00eancia cultural e ecol\u00f3gica. \u201cA fartura, tal como \u00e9 recordada, configura um conceito amplo. Ela diz respeito n\u00e3o apenas \u00e0 quantidade de comida na mesa, mas tamb\u00e9m \u00e0 rela\u00e7\u00e3o das pessoas com a terra, ao respeito pelos ciclos da natureza, \u00e0 seguran\u00e7a que vinha de um ambiente previs\u00edvel. Hoje, muitos dos meus interlocutores dizem que essa fartura acabou.\u201d, afirma. A pesquisa de Renan Martins Pereira reconfigura o entendimento do sert\u00e3o. \u201cMais do que um espa\u00e7o de sofrimento, o semi\u00e1rido \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de vida, de saberes ancestrais e de hist\u00f3rias que desafiam a no\u00e7\u00e3o de um passado perdido\u201d, conclui o pesquisador. Em um mundo em crise ambiental, as mem\u00f3rias do sert\u00e3o podem oferecer li\u00e7\u00f5es valiosas sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a humanidade e a natureza. 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